Caixa reduz juros da casa própria e vai renegociar dívida imobiliária de até 600 mil famílias

BRASÍLIA. A Caixa Econômica Federal anunciou nesta quarta-feira redução de até  1,25 ponto percentual nos juros cobrados nos financiamentos habitacionais para a classe média. A taxa mais em conta (para clientes do banco), baixou de 8,75% ao ano para 8,5% e a mais alta caiu de 11% ao ano para 9,75% ao ano.

Os novos percentuais começarão a valer a partir da próxima segunda-feira para novos financiamentos e abrangem contratos enquadrados no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), com recursos do FGTS e da poupança, para imóveis avaliados em até R$ 1,5 milhão e no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), acima deste valor. Dessa forma, a Caixa está igualando as condições do crédito, independentemente do valor do imóvel.

Segundo o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, o objetivo é corrigir distorções, cumprindo a orientação do ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele afirmou que o banco ficou muito focado na baixa renda e que agora vai priorizar as famílias de classe média e média alta.

— A Caixa não está focando na classe média, era mais da classe baixa. Não existe nenhuma descontinuidade para as pessoas carentes, o programa Minha Casa Minha Vida vai continuar, mas a Caixa vai focar na classe média e média alta — afirmou Guimarães.

Durante o anúncio do corte de juros, a Caixa divulgou oficialmente os detalhes da campanha de renegociação para os mutuários da casa própria que estão com prestações atrasadas. O programa vai beneficiar 589 mil  famílias que têm uma dívida total de R$ 10,1 bilhões com vários tipos de contratos. O universo corresponde a 11% da carteira total do banco de R$ 5,2  milhões de contratos ativos.

O banco não vai desconto no valor da prestação, mas pode perdoar juros e mora, dependendo do contrato e em situações em que o custo adicional alcança o valor da prestação. Serão oferecidas várias alternativas de renegociação aos  interessados.

Para regularizar a situação, o mutuário poderá dar uma  entrada (valor correspondente a uma prestação) e incorporar as parcelas atrasadas no saldo devedor. A mensalidade é recalculada e o prazo de pagamento do  contrato não muda. Também é possível usar o  saldo da conta do FGTS no caso de apenas três meses de atraso ou ainda  alterar a data do vencimento da prestação.

Quem não se enquadrar nessas condições poderá procurar as agências da Caixa para verificar a possibilidade de acordo.

De acordo com simulação da Caixa, um contrato com saldo devedor de R$ 108,845 mil,  com 10 prestações vencidas, vai  incorporar na dívida R$ 8,888 mil. Com isso,  o valor da parcela subirá de R$ 987,63 para R$ 1,012 (aumento de R$ 25,02).

O programa de renegociação vale em todo o país. Os clientes poderão receber atendimento pelo telefone 0800-726-8068 opção 8, pelo site www.caixa.gov.br/negociar , nas redes sociais, além das agências da Caixa.

Nova modalidade de crédito imobiliário

 

Nas próximas semanas, a Caixa vai lançar uma nova modalidade de crédito imobiliário,  substituindo a Taxa Referencial (TR), que acompanha a correção dos contratos, mas atualmente está zerada pelo IPCA. Além disso, o banco  vai passar a oferecer um tipo de amortização dos contratos, chamado tabela price, em  que o tomador começa pagando prestações em valores iniciais menores e mensalidades constantes, apenas corrigida pelo índice inflacionário. Atualmente, o banco trabalha com o sistema SAC (Sistema de Amortização Constante), em que o valor inicial da parcela é mais alto, mas com a armotização inicial é maior, as mensalidades são decrescentes.

Esta fórmula é considerada mais segura tanto para os tomadores quanto para as instituições financeiras. Segundo ele, a ideia é deixar o mercado fluir, menos “dirigismo” , uma orientação do ministro  Paulo Guedes.

— A escolha é do consumidor — disse Guimarães, acrescentando que para algumas famílias pode ser mais vantajoso começar pagando menos.

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